Quando acordei hoje de manhã, eu sabia quem eu era, mas acho que já mudei muitas vezes desde então.
Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll
Ao estarmos em frente ao desconhecido, seja ele a partir de grandes pontos de virada ou novas situações cotidianas, descobrimos e recriamos quem somo. Isso porque assimilamos outros signos e sentidos à nossa concepção do mundo. Através das várias transformações que o corpo Alice passa, desde o líquido que a encolhe ao bolo que dobra seu tamanho, a fazem questionar quem ela é. Talvez não seja mais a mesma pessoa de quando acordou. Todos os seus recursos de autoconhecimento precisaram ser questionados a partir da nova disposição do mundo ao seu redor.
Sob a perspectiva da gestalt-terapia e do zen budismo, o processo perceptivo se inicia a partir da tomada de consciência direta da realidade vivenciada no presente. Entendemos com clareza que de nada adianta querer se apegar à uma ideia, um objeto, ao dinheiro guardado no banco. Não somos os mesmos que éramos ao acordar. Através das experiências e do contato com as outras pessoas nós mudamos, assim como o mundo. A tentativa de se moldar a algo fixo apenas torna o crescimento mais difícil.
No fim das contas, nunca se sabe quando o coelho branco passará correndo. O importante é entender toda vivência como uma fonte de nutrição. Cada livro, filme, conversa ou reflexão é parte integrante da fabricação de um novo eu, mais aberto para o mundo, mais flexível.
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