Como sentir segurança na relação?

segurança

Falar de segurança nas relações, principalmente as sexo-afetivas, não significa buscar garantias para o futuro. Na perspectiva fenomenológica-existencial, é possível definir segurança como um sentimento resultante de uma boa experiência atualizada no aqui-e-agora.

É necessário incluir nesta definição a possibilidade de ser quem se é na relação, sem julgamentos morais e sem medo do rompimento. Trata-se menos de uma busca por estabilidade. É sobre uma qualidade de contato que permite presença, atenção, reconhecimento, troca significativa e suporte diante de situações emergentes.

Toda relação envolve algum grau de risco, pois estar-com implica exposição e imprevisibilidade. A segurança não está na eliminação desse risco, mas na construção de condições que tornem possível lidar com ele. Quando existe espaço para que interesses, necessidades e desejos possam emergir com qualidade, saber lidar com risco torna-se uma habilidade que compõe a relação.

Responsabilidade

“Eu sei o que preciso desta relação.”
“Eu sei o que ofereço nesta relação.”

Sob uma perspectiva existencial, é possível compreender responsabilidade como a capacidade de identificar e convocar na relação os próprios interesses, necessidades e desejos.

Deve-se assumir a autoria sobre a própria experiência em vez de atribuí-la exclusivamente ao outro, ao passado ou às circunstâncias. Esse entendimento está diretamente ligado à liberdade, já que não há possibilidade de escolha sem também assumir suas consequências.

Essa responsabilidade não tem caráter moralizante, punitivo ou culpabilizante. Ela diz respeito a reconhecer a própria participação naquilo que se vive e, a partir disso, poder agir de forma mais consciente e criativa na relação.

Liberdade

“Eu escolho estar em relação com você.”

Segurança afetiva não se opõe à liberdade. Relações que dependem exclusivamente de uma restrição de autonomia tendem a se organizar em torno do medo do rompimento. Traumas podem emergir daí.

A liberdade, nesse contexto, refere-se à possibilidade de cada ser existir de modo íntegro e interdependente enquanto permanece em relação. A continuidade do vínculo deixa de ser tentada através do controle e da disciplinarização do outro e passa a ser sustentada em escolhas renovadas continuamente no momento presente.

Apoio

“Eu posso contar com você.”

A sensação de segurança se constrói no tempo por meio de experiências recorrentes de heterossuporte. Escuta ativa, permanência diante de dificuldades e implicação no cuidado cotidiano produzem uma relação que não depende apenas de declarações verbais de afeto.

É mais factível afirmar então que o fenômeno da segurança emerge a partir de comportamentos consistentes ao longo do tempo do que uma promessa futura.

Acordos e comunicação

“Eu comunico o que preciso dessa relação com você.

Relações seguras exigem acordos construídos de forma intencional e consciente. Esses acordos não são estruturas rígidas, mas referências compartilhadas que precisam ser revistas conforme as condições atuais da relação. Interesses, necessidades e desejos devem ser comunicados e não tomados tacitamente como óbvios. Deste modo, trocas significativas para todas as partes são favorecidas, reduzindo a utilização de suposições ou expectativas.

Saber quem se é, o que se quer e o que se precisa é fundamental para uma boa comunicação e estabelecimento de bons contratos de relação.

Segurança como processo

Sentir segurança em uma relação não corresponde a um estado fixo nem a uma promessa de estabilidade contínua. Trata-se de um processo que ocorre no entre da relação e que envolve responsabilidade, liberdade, heterossuporte, acordos atualizados, troca significativa, presença e boa comunicação. Essas sugestões não prometem eliminar a vulnerabilidade, mas possibilitam que esta seja experienciada de forma mais sustentável.

Construir relações mais seguras é um processo que pode ser favorecido no setting terapêutico, especialmente quando se busca ampliar a awareness sobre identidade, necessidades, limites e comunicação. A psicoterapia oferece uma parceria de escuta ativa que pode auxiliar tanto o cuidado consigo quanto a construção de relações mais tranquilas e satisfatórias.


Estou com horários disponíveis para atendimentos individuais e para casais, além de outros arranjos afetivo-sexuais. Também estou disponível para supervisão em temas de gênero e sexualidade. Somente na modalidade online.



Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Simone Villas Bôas Saraiva

Simone Villas Bôas Saraiva

CRP 06/177991
Psicóloga clínica, gestalt-terapeuta, especialista em gênero e sexualidade. Psicoterapeuta com experiência clínica com demandas de estresse, ansiedade e depressão.


Categorias