Questiona-se cada vez mais os modelos de relações sexo-afetivas. Abrir a relação para outros afetos tem sido uma resposta frequente. Este contrato de relacionamento pode ser nomeado de não monogamia, relacionamento aberto, poliamor, entre outros termos dependendo do contexto.
A sociedade ocidental é regida por uma entidade religiosa e jurídica nomeada “casal”, formado por um “homem” e uma “mulher”. É senso comum que esta é uma simplificação grosseira dos desejos. Por exemplo, a homoafetividade é uma tentativa de fuga desta cisheteronormatividade. Desejos são frequentemente disciplinados para encaixar neste modelo, no qual tudo mais é pecado, perversão ou crime. Isso tem um enorme custo para a experiência de cada um neste mundo, mesmo que não consciente.
O amor romântico é um dos formatos mais bem sucedidos de uma disciplina sobre os corpos desejantes. Desde sempre, somos educados para encontrar um par ideal, uma parceria para toda a vida. Só que o desejo desponta. Pessoas manifestam ciúmes e insegurança, traem seus parceiros, dissolvem casamentos.
O dispositivo da monogamia é um contrato social, portanto cultural e arbitrário. Entenda, isso não significa que estabelecer uma relação à dois dentro das normas sociais não seja um desejo válido. É apenas uma possibilidade dentre várias outras.
Escuto na clínica regularmente o relato do exercício do amar e desejar sexualmente várias pessoas ao mesmo tempo. No entanto, ainda que não seja uma possibilidade validada social e juridicamente, esta já é uma manifestação cultural recorrente.
Desejo e introjeção
Importante mesmo é investigar o próprio desejo. Questione-se! Em que momento da vida você está? O que você quer? Quem você quer que caminhe ao seu lado? Gosto de observar outras possibilidades como a não monogamia para, inclusive, confirmar as minhas. Não, nem todo mundo é não monogâmico. Nem precisa ser. Bom mesmo é se conhecer e se permitir o encontro.
“A possibilidade de alternativa ao sistema monogâmico não passa por flertes ou namoros, mas pela coletivização dos afetos, dos cuidados, dos desejos e das dores.”
Brigitte Vasallo

Enquanto terapeuta, entendo que meu papel não é estabelecer julgamentos ou propor modelos, sejam eles quais forem. Como profissional compromissada com uma psicologia como ciência e profissão, estou apta a compreender e ajudar cada pessoa consulente.
A finalidade da psicoterapia é facilitar a identificação e trabalhar o que é necessário para a autorrealização.
A psicoterapia não tem como objetivo conduzir alguém a um modelo específico de relação, e sim ampliar a consciência sobre a própria experiência, favorecendo escolhas mais responsáveis, cuidadosas e coerentes com aquilo que se vive.
Algumas Referências sobre não monogamia
- Descolonizando afetos: Experimentações sobre outras formas de amar, livro de Geni Núñez
- O desafio poliamoroso: por uma nova política dos afetos, livro de Brigitte Vasallo
- Os porquês da Não monogamia Política

Estou com horários disponíveis para atendimentos online individuais, para casais e outros arranjos sexo-afetivos. Além deste tema, tenho experiência em outros ligados a relacionamentos, gênero e sexualidade.
O que é não monogamia?
Não monogamia é um modo de relação no qual a exclusividade sexo-afetiva não é obrigatória. Pode incluir diversos contratos de relação que não são próprios do senso comum. Este acordos são construídos visando responsabilidade e cuidado nas relações sexo-afetivas, além de possibilitar melhores relações com a comunidade.
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Não monogamia é traição?
Traição não se define pelo número de pessoas envolvidas, mas pela quebra de acordos estabelecidos. Relações monogâmicas e não monogâmicas podem existir com cuidado e transparência ou com silêncio, sofrimento e ruptura. A questão central não é o modelo, mas a responsabilidade nas escolhas e seus efeitos sobre o outro.
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Quando a não monogamia produz sofrimento
Algumas pessoas procuram psicoterapia vivendo conflitos relacionados à não monogamia: ciúme intenso, insegurança, dificuldade de comunicação, sensação de desigualdade afetiva ou medo constante de perda.

