Psicóloga Simone Villas Bôas Saraiva

Relações, gênero, sexualidade e sofrimento contemporâneo

CRP 06/177991

Por que a gente sempre acaba discutindo pela mesma coisa?

conflitos recorrentes no relacionamento

Os conflitos recorrentes no relacionamento acontecem quando uma discussão parece chegar a um entendimento, mas o mesmo assunto volta dias depois. A conversa começa com uma situação específica. Você tenta explicar o que incomodou, a outra pessoa responde, vocês discutem. Em algum momento, parece que chegaram a um entendimento. Mas, com a retomada do assunto, volta também a sensação de que aquela conversa já aconteceu antes.

É cansativo tentar explicar algo que parece nunca ser compreendido. Com o tempo, os conflitos recorrentes no relacionamento podem deixar de ser apenas sobre o acontecimento inicial e passar a envolver tudo o que aconteceu nas conversas anteriores. O que está em questão já não é somente o problema atual, mas também a experiência acumulada nessa relação.

Na Gestalt-terapia, o conceito de situação inacabada ajuda a compreender como uma experiência que não encontrou fechamento pode continuar participando de situações presentes. Um episódio pode ter terminado sem que a experiência tenha sido concluída e assimilada satisfatoriamente. Quando algo semelhante acontece, o que foi vivido anteriormente pode adquirir presença na situação atual.

Isso não significa que todo conflito recorrente seja uma situação inacabada. Às vezes, o problema continua porque nada mudou. Um acordo não é respeitado, uma necessidade permanece sem consideração ou uma pessoa continua arcando sozinha com a responsabilidade por uma questão que diz respeito à relação.

Por isso, vale observar o que acontece nessas conversas. O que você tenta comunicar? O que muda depois de cada discussão? O que permanece igual? Há espaço para que sua experiência seja considerada ou a conversa termina sempre com a necessidade de você explicar tudo novamente?

Essas perguntas não servem para encontrar um culpado nem para determinar quem tem razão. A intenção é compreender o que mantém o impasse e distinguir o que ainda precisa ser elaborado daquilo que depende de uma mudança concreta na relação.

Na psicoterapia, é possível investigar como você vive essas situações, que sentidos elas adquirem e quais possibilidades de ação estão disponíveis. Não para aprender a suportar melhor um conflito interminável, mas para compreender o que acontece e reconhecer o que pode, de fato, mudar.


Se você percebe que determinadas situações se repetem nas suas relações e quer compreender o que acontece, a psicoterapia pode ser um espaço para investigar essas experiências e reconhecer outras possibilidades de ação.

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Simone Villas Bôas Saraiva

Simone Villas Bôas Saraiva

CRP 06/177991
Psicóloga clínica, gestalt-terapeuta, especialista em gênero e sexualidade. Psicoterapeuta com experiência clínica com demandas de estresse, ansiedade e depressão.



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